Ela nunca existiu. Ela nunca sequer tocou a sua pele áspera, vítima de um inverno rigoroso sobre a neve russa. As cores daquele inverno eram simples, porém intensa.
Catherine era a cor do preto-e-branco. A sua delicadeza e simplicidade eram os traços comuns, perdidos no labirinto do tempo, o lugar onde ninguém conseguia mais pisar. Ela povoa a civilização que não existe, e está aprisionada na cela mais imunda da alma, e de lá ela não poderá mais sair.
Mas tocá-la não era impossível. Essa anulação ainda se tratava de algo pertinente na vida de Matias. O encontro tão esperado pelos espectadores inexistentes da novela sórdida de um amor perdido poderia enfim acontecer; o marco zero.
O prazer que a carne oferece a si é inegável, mas ao mesmo tempo vazio. Quão narcísico isso vem a ser? O gosto da própria pele, em duas faces completamentes diferentes. De um lado, o eu frio e impotente. Do outro lado, a sensibilidade da órquidea negra, que necessita daquilo, mais que ninguém.
A morte pode separar mundos com uma ponte que não é possível atravessar. Principalmente a morte de entes queridos, entes responsáveis pela criação de uma nova vida, um novo início.
As cores perdidas dessa obra de arte eram Catherime. O quadro agora borrado era Matias. E como qualquer quadro em uma obra afim, a pintura borrada não pode ser remediada. Mas uma cortina cai sempre bem.
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