terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Minha Diva








Bem, eu não sei porque até hoje eu nunca postei nada que falasse sobre minha grande diva: Regina Spektor. Vou tentar contar como foi que começou essa historinha de amor entre nós dois.

Estava eu, com poucos dias após meu aniversário de 12 anos, na casa de uns amigos da minha mãe. Naquela época, eu não sabia muita coisa da vida, muito menos de música. Apreciava, estudava piano, e só. Daí um rapaz que se encontrava naquela casa (acho que o anfitrião) colocou a música "Rejazz", lanlado no mesmo ano, em 2001. É uma música pura, seca, profunda e sem instrumentos. A voz dela me hipnotizou, no mesmo instante. E naquele momento, o mundo não tinha mais importância. Meu amor por Regina Spektor foi à primeira vista.

Consegui uma cópia daquele CD mágico. E a partir dali comecei a ver a evolução dessa incrível artista, como também evoluir o meu conhecimento. Posso dizer que eu sou um amplo conhecedor dessa cantora russa, em todos os sentidos.

Spektor não é mulher de um único estilo, ela consegue misturar coisas variadíssimas no seus álbum, o que faz a sua produção muito rica. As músicas não são apenas rimas prontas e um som agradável, são pura poesia e um contato direto com a alma. Tanto como pessoa, como artista, Regina Spektor é uma prova de doçura e simplicidade, no seu sorriso meigo e suas roupas vintage.

Particularmente, eu divido ela em três etapas. Os seus três primeiros álbum são os mais coplexos e mais experimentais possíveis. Não são cds fáceis de escutar. Logo, não são comerciais. Daí ela pensou: 'por que não tentar ser mais simples?'. Surgiu o álbum pop, o "Begin To Hope", com baladinhas e a famosa música Fidelity, que criou uma legiao de fãs brasileiros e meu ciúme. Em 2009, ela alcança um patamar mais alto, o "Far", no qual ela junta a fase experimental, com a fase pop e cria uma obra-prima, definitivamente.

De longe, Regina Spektor é uma das melhores cantoras da atualidade, e aquela que tocou meu coração desde o primeiro segundo de "Rejazz". Acredito que nunca encontrarei alguém que me faça passar por uma experiência melhor que esta, que continua nos dias atuais. Love you, @respektor *-*

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Aqui dentro

Dentre os bilhões de pessoas que existem no mundo, é muito complicado assumir que, enfim, você encontrou a pessoa certa. Talvez até nunca se encontre, devido as condições de espaço impostas pelo próprio planeta. Mas ninguém nasce com uma folha de papel na qual vem escrito o nome da pessoa e o lugar que devemos ir para encontrá-la.

Podemos fazer bem melhor do que isso. Adaptar uma pessoa que possivelmente não seja, como a nossa melhor. É um processo que pode acontecer mesmo quando você não pretende, de fato. É aquela coisa de olhar uma pessoa, conhecê-la, sentir-se bem com ela. O modo como vamos levando essa vida conjugal transforma tudo no melhor conto de fadas do mundo.

Depois de um tempo junto com a mesma pessoa, você ainda para e nota essa pessoa te encarando apaixonadamente, com aquele rosto bobo, mas ao mesmo tempo feliz. É nessa hora que você tem certeza que está fazendo a coisa certa, que está ali por algum motivo, e dos bons. Você começa também a notar que existem coisas nela que só você é capaz de identificar, e talvez só você saberá. Uma pinta escondida no dedão do pé, na parte de baixo, que ninguém sequer viu, pode se tornar o seu esconderijo do mundo, um lugar tranqüilo que só você pode chegar, com sombra, árvores, paz, abraço e arrepios.

Você também nota que a pessoa se abre para você de uma forma diferente que ela se abre para as outras pessoas, e quando alguém aparece, como se penetrando naquele “mundo” que estava acontecendo, essa pessoa muda completamente, torna-se “mais um”. É bem nessa hora que você tem certeza que vale a pena dizer que ama e que é amado.

Quando você adoece, e vê que a pessoa foi te ver, nem que seja por um curto espaço de tempo. Você sente que ela se preocupa com você, quer estar com você a qualquer custo. É, isso pode acontecer.

E dentro de todas estas circunstâncias, nos tornamos felizes com esse limite e esquecemos pra sempre que não precisamos conhecer o mundo inteiro, a fim de ter certeza que escolheu a pessoa certa.

Felicidade é uma palavra de longo tempo, melhor acreditar que ela não existe. Deixe tudo acontecer com a alegria do momento, no espaço de um beijo, no calor do sexo, nas cores do peito em que você deita quando nada mais precisa existir...no castelo.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

22

Sou um humano com mais sentimentos. Eu necessito de mais atenção do que o normal. Tenho ansiedade pelo amanhã, pelo florescer, pela luz, pela noite, pela vida. Tenho vontade de coisas estranhas, ou talvez normais demais, dependendo do ponto de vista.

Palavras doces me derretem, mas eu não expresso isso facilmente. Deixo nas entrelinhas, já que meu coração é como um oceano escuro e seu fundo não é tão fácil assim de se enxergar. Muitas vezes eu penso sozinho e faço as coisas por minha vontade. Outras, eu me torno altruísta a ponto de esquecer dos meus próprios problemas. Eu não sou uma pessoa forte, tampouco corajosa. Tenho mania de adiar o problema no máximo possível. Tenho medo de morrer sozinho, tenho medo de dormir e não mais acordar.

Geralmente sou muito indeciso, e todas as decisões da minha vida foram complicadas de tomar. Sou bastante musical e costumo colocar um som de fundo em tudo que vai acontecendo no dia-a-dia... Sim, eu não existiria plenamente sem a música, pois elas são como melhores amigos que me entendem e sabem o que me dizer na hora que eu mais preciso.

Tenho vontade de sumir, tipo, sempre. Se eu pudesse, sairia por aí e não deixaria vestígios. Se eu sou uma pessoa sozinha? Não. Mas talvez, em um determinado modo de olhar a situação, sim. Sou carente de afeto e gosto bastante de me sentir protegido. E nem sempre eu preciso de um castelo para me proteger, apenas um casebre em palhas pode me fazer um bem inexplicável. As pessoas que mais sabem dar carinho são as que mais chamam minha atenção.

Não escuto os conselhos de minha mãe. Maior parte das vezes, os meus gatos costumam me dar conselhos mais audíveis. Gosto de viver, viver intensamente, correndo os maiores risco, por mais que eu me arrependa no dia seguinte, mas arrependido daquilo que eu tentei, não do que eu não fiz.

Tenho um prazer imenso por receber cartas e presentes. Porque são uma forma física de afeto demonstrado por um alguém afim...
Talvez ano que vem eu pense diferente.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Tesouro

E dentre muitos, ela se sentia só. Mas não se tratava de uma solidão que poderia ser aveludada com uma musica mais profunda ou com um vinho mais amargo. Na verdade, ela nunca tinha encontrado ninguém. O mundo, essa idéia plural da existência de seres vivos não cabia em sua mente, era apenas um sonho que nunca povoara seus sonhos à noite.

Essa garota morava há muito tempo em uma sala escura. Por volta de 19 anos. Tudo que existia era ela, uma lâmpada e um dicionário velho, corroído pelos bichos que ali existiam... Toda noite ela tinha uma felicidade rápida, pois no canto esquerdo do seu quarto havia um buraco de tamanho médio, por onde passavam coisas que ela adorava colocar na boca. Tinham vários formatos, cores, sabores e aquilo era o ‘mundo’ dessa jovem. Como nunca tinha encontrado semelhante, não sabia pronunciar uma palavra sequer, de nenhuma língua. E devido a isso, todos os seus pensamentos eram arcaicos e animalescos. Não tinha idéias organizadas ou vontades que fossem além de uma mosca ou de uma barata. Sabia que seu corpo necessitava jorrar um líquido amarelo, que seus olhos coçavam e que sua barriga doía uma ou duas vezes por dia... E com o tempo ela foi percebendo o cheiro desagradável que algumas dessas necessidades causavam, e, mesmo precisando saná-las, não deveriam continuar ali depois de feitas. Daí ela criou um buraco onde sempre que necessitava, o procurava.

Já que ela não tinha sentimentos mais complexos, para ela aquilo era o mundo e tudo aquilo eram motivos para que ela quisesse continuar viva... Certa vez, ela tropeçou pelas próprias pernas e caiu. A dor foi de tanto tamanho que nunca mais a garota desejou fazer o mesmo. Inconscientemente, ela estava prezando pela própria vida.

Mas, depois de tantos anos, aquela criatura muda, sem nenhuma capacidade meramente humana deu um grito. O barulho estrondou quarteirões, em plena madrugada. Mas seu som rouco não era de muito abalo, seria talvez se sua alimentação e exercícios diários fossem de fato regulares. Mas aquele grito incomodaria qualquer um. Especialmente um que acompanhasse o crescimento dessa criatura bizarra, desde o princípio.

Ela é minha filha, não deveria deixá-la lá por tantos anos. Talvez eu não queria que ela se tornasse o mesmo que seu pai. Uma assassina. Não queria que ela presenciasse o meu desejo mortal de rasgar peles humanas e coletar todas as entranhas, o que me causava uma espécie de orgasmo. Ela merecia mais que isso. E não ser humana era o melhor que eu poderia fazer no momento. Mas ela gritou e esse gritou me afetou profundamente. Um momento.

Pronto, já abri a porta do porão onde ela se encontra, basta ela empurrar e estará livre para conhecer o mundo, como um ser selvagem que se perde da selva. Vou sentar e aguardar, o veneno fará efeito em mim, é apenas questão de segundos.

Crer

Toda crença é válida. Todo conhecimento é estimado. Mas a relação entre cada opinião traz a beleza.

No decorrer da vida, o homem vai procurando uma estrada a seguir, uma crença, ou uma ideologia em geral. Mas, como em qualquer sociedade, existe sempre uma idéia dominante. Um grupo massivo de pessoas que tem algo em comum, uma estrada igual que todos desse grupo costumam seguir. Por osmose, é comum nós começarmos nossas vidas seguindo essa mesma estrada, caso nossos pais ou nossos superiores estejam nela, já que o papel inicial de um tutor é fazer sua cria em total semelhança.

Com o tempo, vamos crescendo e adquirindo nossa própria capacidade de pensar e decidir se queremos seguir nessa mesma estrada ou dar um novo rumo as nossas vidas. Partindo do pressuposto de que quando o homem resolve ir por outro lado, ele está “um passo a frente”, o natural seria abominar e criticar todos aqueles que não foram capazes de fazer o mesmo. Costuma-se notar isso quando se tratam de pessoas que não aceitam mais o Cristianismo e passam a acreditar em coisas afins. Maior parte destes criticam absurdamente aqueles que permanecem cristãos, afirmando que não possuíram a capacidade de ter um pensamento próprio.

Dentre estes mesmos, existe uma parcela menor que adquire um certo grau de evolução suprema, o grau de tolerância. Uma pessoa que se considera entendida, passa a tolerar mais a opinião do próximo. Então, ao invés de criticar e tentar mudar a mente de uma pessoa, por que não acreditar que a pessoa adquiriu seu pensamento próprio e quis continuar nessa mesma estrada? O homem é um ser complexo e todos os caminhos existentes no mundo são sempre muito adequados, só que cada um tem o seu determinado caminho.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Quase ela

E, perante todas as criaturas que a natureza um dia se esforçou em criar, aquela era dona de todo meu apreço... Talvez pela relação próxima que o destino proporcionou para nós, talvez não. Na verdade, trata-se de um sentimento que eu nunca conseguirei explicar por completo.
Minha vida sempre foi continuamente a mesma. O mesmo chão, as mesmas cadeiras, a mesma cama. No teto, eu sempre encontrava um telhado ou outro que chamava a minha atenção, enquanto eu estava em devaneios. Mas não era algo que tomava minha atenção por muito tempo. Até o copo de água conseguia me paralisar, mas não demorava tanto. E aquilo me fazia entender que eu precisava de mais. Era como um buraco aberto em minha mente, e a escuridão era impossível de ser penetrada. E eu nunca fui uma pessoa capaz... Evitei sempre os grandes desafios, porque de certa forma eu não fui bom em entender sozinho o mundo.
Mas eu me acostumei a morar nessa casa, sem ninguém ao meu lado. Mesmo sabendo que minha capacidade de continuar era mínima, contentava-me a idéia de estar ali, por mais que vegetando. Só que por mais que eu evitasse, eu passaria por mudanças.
Foi quando eu conheci a Nina. Ela estava solitária – não tanto quanto eu, já que ela tinha quem cuidasse dela, mesmo que indiretamente – e eu estava a passear pelo mercado, ao fim da tarde... mas quando eu notei aqueles olhos tristes por entre as grades, foi como se algo dentro de mim começasse a fazer sentido. E eu não sei explicar, nunca saberei.
Trouxe-a para minha casa por 100 contos de réis, já que era a unidade monetária machadiana, e isso causaria certo requinte na história que eu estava prestes a vivenciar. E, durante alguns momentos eu me pegava acariciando aqueles pelos macios de uma beleza canina jamais vista antes pelos olhos meus.
E foi assim que eu percebi o quão nocivo eu era para as regras previamente definidas pela sociedade humana que eu não fazia questão de participar. O homem foi feito para a mulher e vice-versa. Mas eu não sou e nunca fui um homem. Eu sou um macho, Nina é uma fêmea. E nunca ninguém terá o direito de intervir no meu amor por este ser divino.
Mas ela não me quer, na verdade ela sempre me olha e me dá carinho, mas eu sei que ela só vê a mim como um mísero amigo. Visão esta que não me satisfaz. Mas eu anistiar-te-ei, já que de mim não aprendeste a gostar.
E por mais efêmero que isso possa ser, esse amor não correspondido foi o que fez meu sangue finalmente correr e os meus telhados nunca mais serão o mesmo, pois sob eles estarão a prova de tudo que eu digo, o cadáver de um amor.

domingo, 27 de junho de 2010

Matias. [parte 2]

Ela nunca existiu. Ela nunca sequer tocou a sua pele áspera, vítima de um inverno rigoroso sobre a neve russa. As cores daquele inverno eram simples, porém intensa.
Catherine era a cor do preto-e-branco. A sua delicadeza e simplicidade eram os traços comuns, perdidos no labirinto do tempo, o lugar onde ninguém conseguia mais pisar. Ela povoa a civilização que não existe, e está aprisionada na cela mais imunda da alma, e de lá ela não poderá mais sair.
Mas tocá-la não era impossível. Essa anulação ainda se tratava de algo pertinente na vida de Matias. O encontro tão esperado pelos espectadores inexistentes da novela sórdida de um amor perdido poderia enfim acontecer; o marco zero.
O prazer que a carne oferece a si é inegável, mas ao mesmo tempo vazio. Quão narcísico isso vem a ser? O gosto da própria pele, em duas faces completamentes diferentes. De um lado, o eu frio e impotente. Do outro lado, a sensibilidade da órquidea negra, que necessita daquilo, mais que ninguém.
A morte pode separar mundos com uma ponte que não é possível atravessar. Principalmente a morte de entes queridos, entes responsáveis pela criação de uma nova vida, um novo início.
As cores perdidas dessa obra de arte eram Catherime. O quadro agora borrado era Matias. E como qualquer quadro em uma obra afim, a pintura borrada não pode ser remediada. Mas uma cortina cai sempre bem.

sábado, 26 de junho de 2010

Matias.

E aquele sangue que escorreu pelos seus pulsos foi a maior tragédia que aqueles olhos cansados foram capaz de cheirar. O indicador, pobre indicador. Talvez uma eternidade não fosse o suficiente para apagar os estragos que aquilo tinha causado a sua retina, talvez estar cego fosse a melhor solução.
Matias tinha a fama de homem do mundo. Talvez aquilo não fosse no sentido perjorativo, provavelmente tratava-se de algo mais profundo que isso. Seus pés já deixaram marcas por muitas estradas, e seu corpo já deitara em diversas camas, até mesmo em chãos. A morte de seus pais fazia-o acreditar que o seu lar fosse o mundo, não aquela velha casa de barro no 171.
Dono de uma beleza que dispensava questionamentos negativos, este jovem - agora por volta dos seus 25 anos - fez a sua vida assim, desde o início da adolescência. Conhecer o mundo era a sua atividade favorita. Talvez sua única atividade, e esta tenha sido a razão de nunca a ter deixado de lado.
Quando criança, a sua mãe o dissse que o arco-íris era uma ilusão de ótica. E que ninguém era capaz de ver a mesma imagem colorida que rasgava o céu com tanta delicadeza, como uma espada que cortasse a jugular de uma inocente alma indefesa, durante o sono. Sem dor.
Desde então ele viveu como se não tivesse dois olhos, e sim apenas um, pois ele passou a entender que o mundo era visto daquela forma apenas por ele. E ele não sentia vontade alguma em compartilhar aquela beleza com ninguém.
"Eu nunca consegui penetrar na sua alma, seus olhos não tem cor."... Essa era a reclamação de Catherine, mais uma de suas amantes, que vagava pelo mundo como um corpo sem alma, mas um corpo com beleza o suficiente para prender Matias no mesmo lugar por mais de uma noite. "Boa noite, Catherine.", sussurou para a dama enquanto completava o egocêntrico ato de enrolar-se. Mas o que ele não notou - ou talvez o tenha feito -, é que esse cobertor não era suficiente para os dois. Enrolou-se e em questão de segundos estava adormecido, como um cadáver. Indiferente, a moça virou-se e contemplou o relento com a sua pele ouriçada.
E assim passou-se uma semana ao lado daquela moça. Matias nem lembrava direito o nome desssa criatura que se importou tanto em cruzar seu caminho. "Dorme comigo?", sussurrou no seu ouvido, enquanto ele degustava as últimas gotas do seu uísque duplo, a bebida favorita de qualquer estabelecimento que visitava pela primeira vez. Depois de segundos em silêncio, olhou para o busto de Catherine, pegou-a pela mão e foi para o quarto mais próximo, onde tiveram uma noite de amor, ou uma noite de sexo.
Essa não era a primeira relação amorosa do Matias depois de sua partida da casa 171. Era uma das várias que ele costumava levar consigo e largar no dia seguinte. Mas, por algum motivo afim, essa foi a única que ele manteve perto por um período de 7 dias.
7 dias. Gênesis. Ínicio das coisas. Negritude. Faça-se o tudo!
"Eu não suporto mais esse seu silêncio! Basta!". E ela seguiu em direção à porta, sem olhar para trás. Enquanto isso, Matias olhava aquela cicatriz no seu punho. Foi uma queda afim, enquanto pulava a cerva de sua antiga moradia, para caçar uma lebre que pulava com alegria naquele espaço. Ao atravessar os arames, ele ficou gravemente preso e a profundidade dos cortes impediram que seu dedo indicador da mão direita continuasse a funcionar como de costume. Então, ele não era se quer capaz de apontar para uma pessoa, pois a ereção do seu dedo foi afetada por tal queda, e essa cicatriz sempre o capturava do mundo por cerca de 9 minutos.
Ainda a soluçar, Catherine bateu a porta com toda a força que ainda te restava, mas era uma força feminina, incapaz de causar um estrondo. Matias nem sequer olhou para trás.
Mesmo a maior das dores não fosse capaz de trazê-lo ao espaço em que seu corpo inerte perambulava.
A vida tinha ensinado a esse jovem que olhar para trás não era permitido. Um horizonte o esperava, uma reencarnação a cada passo que dava, uma nova vida. Uma nova morte.
Agora sim o estrondo aconteceu, e vinha da rua que supostamente - na mente do Matias - Catherine estava a atravessar. Como que instintivamente, ruídos, passos, pessoas, sons. E aquilo finalmente chamou a atençao do Matias, o que o fez olhar para trás, mas a altura da cama em relação a janela não colaboravam. Era necessário levantar.
Ao passar os seus olhos negros pela janela um pouco fosca, Ele percebeu um movimento peculiar no meio da rua. E, repentinamente, ele correu em direção ao local. Era o fim do sétimo dia para ele.
- Nunca mais Matias foi visto, nunca mais ele teria a chance de ser compreendido. Talvez por vontade própria. -
Ao chegar no local exato, enxergou Catherine, de bruços, com sua cabeça semi-aberta, vítima de um tiro. Matias sentiu seu coração arder ao gelo. O marco zero. O ciclo vital da vida que encontrava ali o seu fim e o seu recomeço. A cruz manchada de sangue que agora virava luz, redenção.
E dos olhos de Matias saíram lágrimas, enquanto agachava-se e tocava o rosto de Catherine, agora de corpo virado, com o seu dedo incapaz. O dedo que nunca teve a força suficiente, hospedeira do corpo que nunca teve a capacidade de enfrentar a si mesmo. O homem frio era apenas uma casca, uma alma perdida que não sabia como lidar com o círculo, com o Gênesis, com o Apocalipse.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Valsando a solidão

Solidão anda sozinha
Sofre quieta sem se ver
E quando cai a tardinha
Procura uma alma quebrada
E lamenta acompanhada
A perda de um bem-querer...

Espia,
Sonda,
Sussura
A saudade,
Saudade,
Saudade.

Com o tempo ela se cansa
Não tem mais o que fazer
Se retira atrás de outra dança
E aquela alma criança
Agora respira aliviada
Pois a tristeza foi superada...

Alegre,
Vibrante,
Confiante,
Constante,
De liberdade,
Liberdade,
Liberdade.

A barriga agora esfria...
Uma mão vem acariciar;
E como num passe de mágica
Ou como num conto-de-fadas
O coração não tem mais a dor
Nele brotou um novo amor.

Criança
Que pula,
Que dança,
Que canta
O amor,
Amor,
Amor.

Devaneios do destino

Um vento sempre leva e traz
um sentimento frio ou quente,
E o amor não é diferente...
De repente leva embora a paz...

Quando pensei em não amar,
Em meu mundo você apareceu
Tua conversa me entorpeceu,
E você navegou no meu mar.

Era cedo para se entregar
A uma nova sedução,
Mas não se manda no coração,
Nem na prisão de sonhar.

Perdoem-me, ponteiros do amor,
Mas eu não soube esperar
Pois é difícil suportar
Aos beijos que me causam calor.

Culpa

"...sabe essa água que escorre pelos meus pulsos? É o suor, única maneira que meu corpo tem de extravasar o ódio que eu sinto por você...Sabe por que eu te odeio tanto? Porque vc é a única coisa que eu menos queria nessa vida. Você é uma imbecil que não entende e nunca vai entender a minha cabeça, sempre cheia de conversas e de coisas que afetam o meu bem-estar. Se eu pudesse, você nunca estaria como parte da minha vida, aqui dividindo a minha cama. Mas eu não posso, pois todo ser humano sente amor, mas precisa de ódio, e você cumpre bem o seu papel dentro de minha cabeça! As horas intermináveis de discussão que nós temos, por algum motivo fútil que a sua boca articula, me deixa surdo, me deixa tão surdo que é como se eu não cheirasse mais nada. Minha vida era realmente boa antes de você, eu me sentia em paz comigo mesmo, eu podia sair para onde eu quisesse e nunca havia ninguém para reclamar ou sequer tomar conta dos meus passos. Há cinco anos eu deixei isso e passei a ser um pedaço de sua vida, mas foi a decisão mais inútil que eu poderia ter tomado, a atitude mais inconsequente. Mesmo que eu tivesse um filho de doze anos, ele não daria uma mancada de tamanha gravidade, pois isso é uma façanha que só eu consegui. Todas as vezes que eu chego em casa, cansado do trabalho, e quero apenas dormir, e isso te incomoda, por que você não me diz outra hora? Seria insuportável do mesmo jeito, mas não tanto quanto. Sua voz é uma lamúria, seu olhar é uma marcha fúnebre que eu recuso aceitar dentro da minha partitura. Os anos em que vivemos juntos foram os piores da minha vida. E, para falar a verdade, não sinto tanto prazer assim quando te tenho nua na minha frente. Você é desagradável, Clara! Acho que eu sou o único homem nessa porcaria de lugar que suportou a sua presença por tantos anos. Nem a sua família deve gostar de você. Aquilo tudo que eu vejo durante aquelas reuniões cerimoniais devem ser uma pura façanha, porque eles devem mesmo é estarem felizes por sua ausência. Agora sou eu quem te aturo, sou eu quem te suporta. Eu te odeio! Eu te odeio mais do que as pessoas que eu mais poderia odiar dentro do meu trabalho. Eu não suporto como você consegue ser assim, tão desgastante. Por que você não sair da minha vida, me deixa em paz por inteiro??"
Minutos de silêncio. Eram 4:56 da manhã. Minutos depois, em uma virada brusca, o braço de Carlos toca em uma superfície gelada. Como a temperatura do seu corpo estava levemente acima do normal, esse toque o faz despertar. Ainda sonolento, os seus olhos se esforçam para abrir.
Quando por inteiros estes se abrem, ele nota que ao se virar na cama, sentiu a barriga descoberta de Clara, que estava gelado, mais do que o normal. Ela estava morta.
E nunca mais ele pôde pedir desculpas por ter sido tão egoísta e nem mesmo dizer que a ama mais do que tudo que nesse mundo podera existir.

terça-feira, 4 de maio de 2010

To be or not to be?

Como se chegar a alguém e dizer o que sente, sem sofrer? Bem, essa é definitivamente uma boa pergunta.
Todo mundo na vida já passou (ou ao menos passará) por uma decepção amorosa. Isso nos faz aprender, nos faz fortes para que possamos continuar existindo em comunhão com a sociedade e racionalizar mais as ações antes de qualquer atitude precipitada.
Atitudes estas que compreendem desde a inconsequente admissão em uma história na qual não temos o menor dicernimento. Aquelas coisas em que nos metemos e que pode ser a maior furada que um dia poderíamos passar. Mas apoiando-se em experiências passadas, passamos a evitá-las, adquirimos mais cautela. Os amigos mais "experientes" sempre nos dão conselhos relacionados à situação vigente, como "pense duas vezes", ou então "não caia nessa".
Mas isso ainda não é o pior. Somos acostumados a ver pessoas ou a própria vida dizendo que como participar com mais razão do "joguinho do amor"; que jogo seria esse? Bem, diz-se que não devemos abrir nosso coração por completo à pessoa que pretendemos ter conosco. Que devemos deixar a pessoa tomar suas iniciativas antes de qualquer atitude primordialmente nossa. Isso seria obliterar nossa capaciade de sinceridade.
O que acaba sendo esquecido é um outro valor, que desde sempre aprendemos. Existem dois campos fundamentais: razão e emoção. Estes dois campos, teoricamente, são incapacitado de se cruzarem, pois tratam-se de duas forças opostas. E quanto ao amor? Não se trata de emocão? Como conseguir ser racional dentro de um sentimento tão puro e tão transparente assim?
Não mostar o que sente implica em não demonstrar amor. Logo, é ligeiramente impossível encarar sentimentos com tamanha racionalidade. Acredito que se fecharmos os olhos e confiarmos na nossa sorte de querer alguém e poder tê-la, conseguiremos chegar mais longe do que faríamos se tentássemos ser mais frios e mais racionais diante de uma grandeza como esta. Por que não se abrir por inteiro, dizer o que realmente está sentindo? Se duas pessoas são para ficarem juntas, elas com certeza ficarão, e admitir isso dentro de si mesmo é uma das maiores qualidade que um ser humano pode adquirir.
Em suma, não ter medo de correr riscos é uma vantagem, pois nos fará vivenciar momentos de absoluta beleza e unidade... Né, meu Tico? ^^

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O espelho

Ângela soube por uma amiga um tanto próxima. Aquela notícia que poderia mudar a vida dela completamente:
- Me disseram que naquela casa que não mora ninguém há tanto tempo existe um espelho. Neste, quando nos posicionamos em frente à sua estrutura quadricular, visualisamos o nosso amor, quem estará com a gente para sempre.
Bem, para ela, não era nada ainda tão provocante. Ângela ainda tinha seus 5 anos e aproveitava os momentos inocentes de uma infância gostosa. Na verdade, uma das infâncias mais gostosas e de causar mais inveja. Sua família era de classe média e ela tinha tudo para ser uma daquelas garotinhas mimadas que tinham tudo na mão. Mas não o era. Ângela era uma garotinha simples, ao mesmo tempo complexa. Preferia sentar e ver o formato que as nuvens faziam ao invés de sair ou brincar com os mil presentes que ela poderia ganhar por semana. Logo, aquela notícia era sim provocante.
A casa que Laura, a amiga da Ângela, comentou não era nem notável. Desde sempre ela foi vazia e pequena, em meio a tantos prédios e casarões. Muitas pessoas poderiam passar anos deixando passos corridos ou atrasados pelas calçadas dessa casa, mas se alguém perguntasse "sabe a casa abandonada?", talvez estas nem soubessem o que dizer.
Era uma casa de dois vãos, uma sala e um quarto. As cores externas, apesar de serem frutos de uma estrutura velha e machucada pelo tempo, tinham um tom sombrio, mas ao mesmo tempo vivo. Sim, é como se as rachaduras e os espaços nos quais deveriam haver telhados pudessem passar alguma vivacidade. O jardim não mais existia, pois carecia de cuidados. Há muito tempo diziam já ter visto algum morador, coisa de cinquenta ou sessenta anos atrás, mas nunca mais tocaram no assunto.
No momento em que Ângela soube desta notícia, decidiu, de imediato, comprovar se era verdade o que diziam. E então pensou consigo mesma:
- Por que não experimentar se isso é verdade? Eu poderia saber quem um dia seria o meu verdadeiro amor, e assim seria feliz para sempre!
Sem hesistar, olhou firme para sua amiga -um tanto exagerado, o que por segundos a assustou um pouco- e sem mais pensamentos, ela comentou:
- Minha mãe e meu pai vão sair hoje, por volta das seis horas. Poderíamos ir juntas e testar esse espelho conosco. O que você acha?
- Você tem certeza? Bem, se é o que você quer poderíamos sim, já que minha mãe permitiu passar a tarde na sua casa. - resondeu Laura, ainda menos empolgada que a sua amiga, mas pronta para acompanhá-la.
Laura nunca foi uma menina de pensamentos próprios. Acostumara-se a deixar que os outros pensassem por ela. É como se para ela pensar fosse algo cansativo, e ela deixaria o "trabalho mais duro" para as pessoas com mais aptidão ao seu redor. Sendo assim, foi exatamente a motivaçao de Ângela que levou-a a não desistir de entrar nessa ideia maluca que ela havia escutado por algum lugar do mundo.
Assim que os pais da Ângela se retiraram -foram ao supermercado, comprar alguma coisa que servisse para encher a barriga de pessoas como eles, que não sabiam cozinhar muito bem-, as duas já estavam prontas para abrir os portões de entrada da casa e seguir para onde encontrava-se o tal espelho.
Não era uma caminhada longa, pois tal casa encontrava-se a cerca de trinta ou quarenta metros. Nesse caminho, as duas apressavam-se para que não fossem notadas. À frente, tínhamos Ângela, com passos largos, mas decididos. Enquanto Laura ainda caminhava um pouco temerosa, mas parasita da confiança de sua amiga. O céu estava um pouco escuro e as primeiras estrelas já começavam a sair, com seus brilhos ainda um tanto surdos, devido aos últimos raios solares, que ainda rasgavam os céus da cidade movimentada que elas moravam desde que nasceram. E, dentre esses passos rápidos, Ângela murmurou:
- Nossa, o céu mais lindo que um dia eu já pude notar...
Enfim, chegaram à casa. Atravessaram ligeiramente o lugar aonde deveria ser o jardim. A porta encontrava-se um pouco emperrada, mas com um leve esforço maior, as duas, juntas, conseguiram abrir e entrar naquele vão escuro. De repente, Laura diz a sua amiga:
- Imaginei que estaria um pouco escuro, e roubei algumas velas e o isqueiro do seu pai, vou colocar luz nessa sala.
Por alguns instantes, Ângela esqueceu o motivo da sua ida à casa e observou sua amiga colocar as velas para iluminar o local e admirada por sua amiga, que costuma ser tão destrambelhada, ter pensado em algo tão minuncioso como aquilo. Mas em instantes voltou a si e olhou ao seu redor.
Após a penúltima vela, já dava para encontrar o espelho.
- Então esse espelho realmente existe...- susurrou Ângela, para si mesma. Talvez nem ela mesma tenha conseguido escutar, de tão baixo.
Ângela encarou a sua amiga, que a agora já acendera todas as velas que ainda restavam de sua bolsa de renda. As duas fixaram os olhares por alguns segundos, e um pouquinho de nervoso tomou conta do local. Como era de se esperar, foi Ângela quem deu a iniciativa, mas de inesperado, foi uma iniciativa diferente da que se poderia imaginar:
- Aí está o espelho. Por que não nos olhamos juntas? Talvez assim, no reflexo encontraríamos os nossos amores. O que você acha?
- Ah, é uma ótima ideia! - retrucou Laura.
As duas juntaram suas mãos e como se planejassem anteriormente, fecharam seus olhos, enquanto caminhavam em direção ao espelho que diria algo que poderia mudar a vida dessas duas crianças.
De pé, agora em frente ao espelho, foi a vez de Laura tomar a sua iniciativa:
-Pronta?
-Sim, estou pronta.
Então, elas vagarosamente abriram os seus olhos. O foco dos quatro olhos ainda eram o chão, pois mesmo prestes a ver o que o espelho guardava, as duas estavam um pouquinho nervosas.
Agora, finalmente encarando o espelho, as duas tomaram um susto enorme:
- Mas eu só vejo a nós mesmas no reflexo! - Disse Laura, ainda espantada.
Naturalmente, poderiam imaginar que fosse mais uma lenda urbana ou coisa do tipo. Mas não foi o que se passou na cabeça de Ângela naquele momento. Ela se pôs a pensar que tudo aquilo realmente poderia ser verdade, e que tudo aquilo mostrara que Laura seria a menina que um dia se tornaria o seu amor. Então, sem que ninguém percebesse, ela deu um sorriso no canto dos seus lábios e disse:
- Vamos para casa?
- Vamos.
Vinte e três anos depois, Ângela está uma mulher fenomenal, talvez a mulher mais linda que a cidade poderia notar. Ela tinha uma beleza cativante, dona de um olhar e um semblante que pararia qualquer pessoa, por mais ocupada que estivesse naquele exato momento. Ao seu lado, encontra-se Laura, também linda, mas não tanto quanto a enigmática Ângela. E assim, Laura diz:
- Amor, aqui está o seu café....Já disse que te amo hoje?
- Não, meu amor. Eu também te amo. Em pensar que tivemos que ir até um espelho para descobrir que você era a mulher que iria me amar até o fim dessa vida.
As duas sorriram contentes, mas ao mesmo tempo satisfeitas de terem descoberto o espelho cedo o suficiente para ficarem bastante tempo juntas.
O espelho? Encontra-se no mesmo lugar, para pessoas que ainda não descobriram a magia do amor. Mas de uma coisa as duas tinham certeza: ninguém nunca o descobriria do mesmo jeito que elas o fizeram.

domingo, 2 de maio de 2010

A Fine Frenzy- One Cell in The Sea


Quando a gente pensa que estava acabado, lá vem ela e mostra que foi apenas uma pausa para algo literalmente grandioso!
Quem conhece a Alison, já sabe que ela não é do tipo que faz aquela musiquina sem sal e nhá nhá nhá que você ouve uma ou duas vezes e já enjoa. Ela simplesmente dá a-que-le toque no ambiente em que ela resolve permutar a belíssima voz que alguém lá em cima deu de presente.
Daí que surge o "One Cell In The Sea", um maravilhoso trabalho dessa cantora...
O álbum é bem down, trata bastante de amores mal resolvidos e histórias de cunho triste ou simplesmente melancólicos. Mas não se trata daquele melodrama de segunda que a gente encontra em qualquer bandinha sertaneja, é algo sublime. TODAS as músicas consistentes nesse álbum são viciantes.
Quanto à estrutura músical, que arranjos são esses!? Uma megaprodução para quem já tinha escutado "A Bomb In A Birdcage" antes...O piano encontra-se mais evidente e literalmente, mais influente nesse trabalho da Alison. Como todo bom artista, ela mostrou que evoluiu absurdamente de uns tempos para cá. Vale a pena conferir!