Solidão anda sozinha
Sofre quieta sem se ver
E quando cai a tardinha
Procura uma alma quebrada
E lamenta acompanhada
A perda de um bem-querer...
Espia,
Sonda,
Sussura
A saudade,
Saudade,
Saudade.
Com o tempo ela se cansa
Não tem mais o que fazer
Se retira atrás de outra dança
E aquela alma criança
Agora respira aliviada
Pois a tristeza foi superada...
Alegre,
Vibrante,
Confiante,
Constante,
De liberdade,
Liberdade,
Liberdade.
A barriga agora esfria...
Uma mão vem acariciar;
E como num passe de mágica
Ou como num conto-de-fadas
O coração não tem mais a dor
Nele brotou um novo amor.
Criança
Que pula,
Que dança,
Que canta
O amor,
Amor,
Amor.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Devaneios do destino
Um vento sempre leva e traz
um sentimento frio ou quente,
E o amor não é diferente...
De repente leva embora a paz...
Quando pensei em não amar,
Em meu mundo você apareceu
Tua conversa me entorpeceu,
E você navegou no meu mar.
Era cedo para se entregar
A uma nova sedução,
Mas não se manda no coração,
Nem na prisão de sonhar.
Perdoem-me, ponteiros do amor,
Mas eu não soube esperar
Pois é difícil suportar
Aos beijos que me causam calor.
um sentimento frio ou quente,
E o amor não é diferente...
De repente leva embora a paz...
Quando pensei em não amar,
Em meu mundo você apareceu
Tua conversa me entorpeceu,
E você navegou no meu mar.
Era cedo para se entregar
A uma nova sedução,
Mas não se manda no coração,
Nem na prisão de sonhar.
Perdoem-me, ponteiros do amor,
Mas eu não soube esperar
Pois é difícil suportar
Aos beijos que me causam calor.
Culpa
"...sabe essa água que escorre pelos meus pulsos? É o suor, única maneira que meu corpo tem de extravasar o ódio que eu sinto por você...Sabe por que eu te odeio tanto? Porque vc é a única coisa que eu menos queria nessa vida. Você é uma imbecil que não entende e nunca vai entender a minha cabeça, sempre cheia de conversas e de coisas que afetam o meu bem-estar. Se eu pudesse, você nunca estaria como parte da minha vida, aqui dividindo a minha cama. Mas eu não posso, pois todo ser humano sente amor, mas precisa de ódio, e você cumpre bem o seu papel dentro de minha cabeça! As horas intermináveis de discussão que nós temos, por algum motivo fútil que a sua boca articula, me deixa surdo, me deixa tão surdo que é como se eu não cheirasse mais nada. Minha vida era realmente boa antes de você, eu me sentia em paz comigo mesmo, eu podia sair para onde eu quisesse e nunca havia ninguém para reclamar ou sequer tomar conta dos meus passos. Há cinco anos eu deixei isso e passei a ser um pedaço de sua vida, mas foi a decisão mais inútil que eu poderia ter tomado, a atitude mais inconsequente. Mesmo que eu tivesse um filho de doze anos, ele não daria uma mancada de tamanha gravidade, pois isso é uma façanha que só eu consegui. Todas as vezes que eu chego em casa, cansado do trabalho, e quero apenas dormir, e isso te incomoda, por que você não me diz outra hora? Seria insuportável do mesmo jeito, mas não tanto quanto. Sua voz é uma lamúria, seu olhar é uma marcha fúnebre que eu recuso aceitar dentro da minha partitura. Os anos em que vivemos juntos foram os piores da minha vida. E, para falar a verdade, não sinto tanto prazer assim quando te tenho nua na minha frente. Você é desagradável, Clara! Acho que eu sou o único homem nessa porcaria de lugar que suportou a sua presença por tantos anos. Nem a sua família deve gostar de você. Aquilo tudo que eu vejo durante aquelas reuniões cerimoniais devem ser uma pura façanha, porque eles devem mesmo é estarem felizes por sua ausência. Agora sou eu quem te aturo, sou eu quem te suporta. Eu te odeio! Eu te odeio mais do que as pessoas que eu mais poderia odiar dentro do meu trabalho. Eu não suporto como você consegue ser assim, tão desgastante. Por que você não sair da minha vida, me deixa em paz por inteiro??"
Minutos de silêncio. Eram 4:56 da manhã. Minutos depois, em uma virada brusca, o braço de Carlos toca em uma superfície gelada. Como a temperatura do seu corpo estava levemente acima do normal, esse toque o faz despertar. Ainda sonolento, os seus olhos se esforçam para abrir.
Quando por inteiros estes se abrem, ele nota que ao se virar na cama, sentiu a barriga descoberta de Clara, que estava gelado, mais do que o normal. Ela estava morta.
E nunca mais ele pôde pedir desculpas por ter sido tão egoísta e nem mesmo dizer que a ama mais do que tudo que nesse mundo podera existir.
Minutos de silêncio. Eram 4:56 da manhã. Minutos depois, em uma virada brusca, o braço de Carlos toca em uma superfície gelada. Como a temperatura do seu corpo estava levemente acima do normal, esse toque o faz despertar. Ainda sonolento, os seus olhos se esforçam para abrir.
Quando por inteiros estes se abrem, ele nota que ao se virar na cama, sentiu a barriga descoberta de Clara, que estava gelado, mais do que o normal. Ela estava morta.
E nunca mais ele pôde pedir desculpas por ter sido tão egoísta e nem mesmo dizer que a ama mais do que tudo que nesse mundo podera existir.
terça-feira, 4 de maio de 2010
To be or not to be?
Como se chegar a alguém e dizer o que sente, sem sofrer? Bem, essa é definitivamente uma boa pergunta.
Todo mundo na vida já passou (ou ao menos passará) por uma decepção amorosa. Isso nos faz aprender, nos faz fortes para que possamos continuar existindo em comunhão com a sociedade e racionalizar mais as ações antes de qualquer atitude precipitada.
Atitudes estas que compreendem desde a inconsequente admissão em uma história na qual não temos o menor dicernimento. Aquelas coisas em que nos metemos e que pode ser a maior furada que um dia poderíamos passar. Mas apoiando-se em experiências passadas, passamos a evitá-las, adquirimos mais cautela. Os amigos mais "experientes" sempre nos dão conselhos relacionados à situação vigente, como "pense duas vezes", ou então "não caia nessa".
Mas isso ainda não é o pior. Somos acostumados a ver pessoas ou a própria vida dizendo que como participar com mais razão do "joguinho do amor"; que jogo seria esse? Bem, diz-se que não devemos abrir nosso coração por completo à pessoa que pretendemos ter conosco. Que devemos deixar a pessoa tomar suas iniciativas antes de qualquer atitude primordialmente nossa. Isso seria obliterar nossa capaciade de sinceridade.
O que acaba sendo esquecido é um outro valor, que desde sempre aprendemos. Existem dois campos fundamentais: razão e emoção. Estes dois campos, teoricamente, são incapacitado de se cruzarem, pois tratam-se de duas forças opostas. E quanto ao amor? Não se trata de emocão? Como conseguir ser racional dentro de um sentimento tão puro e tão transparente assim?
Não mostar o que sente implica em não demonstrar amor. Logo, é ligeiramente impossível encarar sentimentos com tamanha racionalidade. Acredito que se fecharmos os olhos e confiarmos na nossa sorte de querer alguém e poder tê-la, conseguiremos chegar mais longe do que faríamos se tentássemos ser mais frios e mais racionais diante de uma grandeza como esta. Por que não se abrir por inteiro, dizer o que realmente está sentindo? Se duas pessoas são para ficarem juntas, elas com certeza ficarão, e admitir isso dentro de si mesmo é uma das maiores qualidade que um ser humano pode adquirir.
Em suma, não ter medo de correr riscos é uma vantagem, pois nos fará vivenciar momentos de absoluta beleza e unidade... Né, meu Tico? ^^
Todo mundo na vida já passou (ou ao menos passará) por uma decepção amorosa. Isso nos faz aprender, nos faz fortes para que possamos continuar existindo em comunhão com a sociedade e racionalizar mais as ações antes de qualquer atitude precipitada.
Atitudes estas que compreendem desde a inconsequente admissão em uma história na qual não temos o menor dicernimento. Aquelas coisas em que nos metemos e que pode ser a maior furada que um dia poderíamos passar. Mas apoiando-se em experiências passadas, passamos a evitá-las, adquirimos mais cautela. Os amigos mais "experientes" sempre nos dão conselhos relacionados à situação vigente, como "pense duas vezes", ou então "não caia nessa".
Mas isso ainda não é o pior. Somos acostumados a ver pessoas ou a própria vida dizendo que como participar com mais razão do "joguinho do amor"; que jogo seria esse? Bem, diz-se que não devemos abrir nosso coração por completo à pessoa que pretendemos ter conosco. Que devemos deixar a pessoa tomar suas iniciativas antes de qualquer atitude primordialmente nossa. Isso seria obliterar nossa capaciade de sinceridade.
O que acaba sendo esquecido é um outro valor, que desde sempre aprendemos. Existem dois campos fundamentais: razão e emoção. Estes dois campos, teoricamente, são incapacitado de se cruzarem, pois tratam-se de duas forças opostas. E quanto ao amor? Não se trata de emocão? Como conseguir ser racional dentro de um sentimento tão puro e tão transparente assim?
Não mostar o que sente implica em não demonstrar amor. Logo, é ligeiramente impossível encarar sentimentos com tamanha racionalidade. Acredito que se fecharmos os olhos e confiarmos na nossa sorte de querer alguém e poder tê-la, conseguiremos chegar mais longe do que faríamos se tentássemos ser mais frios e mais racionais diante de uma grandeza como esta. Por que não se abrir por inteiro, dizer o que realmente está sentindo? Se duas pessoas são para ficarem juntas, elas com certeza ficarão, e admitir isso dentro de si mesmo é uma das maiores qualidade que um ser humano pode adquirir.
Em suma, não ter medo de correr riscos é uma vantagem, pois nos fará vivenciar momentos de absoluta beleza e unidade... Né, meu Tico? ^^
segunda-feira, 3 de maio de 2010
O espelho
Ângela soube por uma amiga um tanto próxima. Aquela notícia que poderia mudar a vida dela completamente:
- Me disseram que naquela casa que não mora ninguém há tanto tempo existe um espelho. Neste, quando nos posicionamos em frente à sua estrutura quadricular, visualisamos o nosso amor, quem estará com a gente para sempre.
Bem, para ela, não era nada ainda tão provocante. Ângela ainda tinha seus 5 anos e aproveitava os momentos inocentes de uma infância gostosa. Na verdade, uma das infâncias mais gostosas e de causar mais inveja. Sua família era de classe média e ela tinha tudo para ser uma daquelas garotinhas mimadas que tinham tudo na mão. Mas não o era. Ângela era uma garotinha simples, ao mesmo tempo complexa. Preferia sentar e ver o formato que as nuvens faziam ao invés de sair ou brincar com os mil presentes que ela poderia ganhar por semana. Logo, aquela notícia era sim provocante.
A casa que Laura, a amiga da Ângela, comentou não era nem notável. Desde sempre ela foi vazia e pequena, em meio a tantos prédios e casarões. Muitas pessoas poderiam passar anos deixando passos corridos ou atrasados pelas calçadas dessa casa, mas se alguém perguntasse "sabe a casa abandonada?", talvez estas nem soubessem o que dizer.
Era uma casa de dois vãos, uma sala e um quarto. As cores externas, apesar de serem frutos de uma estrutura velha e machucada pelo tempo, tinham um tom sombrio, mas ao mesmo tempo vivo. Sim, é como se as rachaduras e os espaços nos quais deveriam haver telhados pudessem passar alguma vivacidade. O jardim não mais existia, pois carecia de cuidados. Há muito tempo diziam já ter visto algum morador, coisa de cinquenta ou sessenta anos atrás, mas nunca mais tocaram no assunto.
No momento em que Ângela soube desta notícia, decidiu, de imediato, comprovar se era verdade o que diziam. E então pensou consigo mesma:
- Por que não experimentar se isso é verdade? Eu poderia saber quem um dia seria o meu verdadeiro amor, e assim seria feliz para sempre!
Sem hesistar, olhou firme para sua amiga -um tanto exagerado, o que por segundos a assustou um pouco- e sem mais pensamentos, ela comentou:
- Minha mãe e meu pai vão sair hoje, por volta das seis horas. Poderíamos ir juntas e testar esse espelho conosco. O que você acha?
- Você tem certeza? Bem, se é o que você quer poderíamos sim, já que minha mãe permitiu passar a tarde na sua casa. - resondeu Laura, ainda menos empolgada que a sua amiga, mas pronta para acompanhá-la.
Laura nunca foi uma menina de pensamentos próprios. Acostumara-se a deixar que os outros pensassem por ela. É como se para ela pensar fosse algo cansativo, e ela deixaria o "trabalho mais duro" para as pessoas com mais aptidão ao seu redor. Sendo assim, foi exatamente a motivaçao de Ângela que levou-a a não desistir de entrar nessa ideia maluca que ela havia escutado por algum lugar do mundo.
Assim que os pais da Ângela se retiraram -foram ao supermercado, comprar alguma coisa que servisse para encher a barriga de pessoas como eles, que não sabiam cozinhar muito bem-, as duas já estavam prontas para abrir os portões de entrada da casa e seguir para onde encontrava-se o tal espelho.
Não era uma caminhada longa, pois tal casa encontrava-se a cerca de trinta ou quarenta metros. Nesse caminho, as duas apressavam-se para que não fossem notadas. À frente, tínhamos Ângela, com passos largos, mas decididos. Enquanto Laura ainda caminhava um pouco temerosa, mas parasita da confiança de sua amiga. O céu estava um pouco escuro e as primeiras estrelas já começavam a sair, com seus brilhos ainda um tanto surdos, devido aos últimos raios solares, que ainda rasgavam os céus da cidade movimentada que elas moravam desde que nasceram. E, dentre esses passos rápidos, Ângela murmurou:
- Nossa, o céu mais lindo que um dia eu já pude notar...
Enfim, chegaram à casa. Atravessaram ligeiramente o lugar aonde deveria ser o jardim. A porta encontrava-se um pouco emperrada, mas com um leve esforço maior, as duas, juntas, conseguiram abrir e entrar naquele vão escuro. De repente, Laura diz a sua amiga:
- Imaginei que estaria um pouco escuro, e roubei algumas velas e o isqueiro do seu pai, vou colocar luz nessa sala.
Por alguns instantes, Ângela esqueceu o motivo da sua ida à casa e observou sua amiga colocar as velas para iluminar o local e admirada por sua amiga, que costuma ser tão destrambelhada, ter pensado em algo tão minuncioso como aquilo. Mas em instantes voltou a si e olhou ao seu redor.
Após a penúltima vela, já dava para encontrar o espelho.
- Então esse espelho realmente existe...- susurrou Ângela, para si mesma. Talvez nem ela mesma tenha conseguido escutar, de tão baixo.
Ângela encarou a sua amiga, que a agora já acendera todas as velas que ainda restavam de sua bolsa de renda. As duas fixaram os olhares por alguns segundos, e um pouquinho de nervoso tomou conta do local. Como era de se esperar, foi Ângela quem deu a iniciativa, mas de inesperado, foi uma iniciativa diferente da que se poderia imaginar:
- Aí está o espelho. Por que não nos olhamos juntas? Talvez assim, no reflexo encontraríamos os nossos amores. O que você acha?
- Ah, é uma ótima ideia! - retrucou Laura.
As duas juntaram suas mãos e como se planejassem anteriormente, fecharam seus olhos, enquanto caminhavam em direção ao espelho que diria algo que poderia mudar a vida dessas duas crianças.
De pé, agora em frente ao espelho, foi a vez de Laura tomar a sua iniciativa:
-Pronta?
-Sim, estou pronta.
Então, elas vagarosamente abriram os seus olhos. O foco dos quatro olhos ainda eram o chão, pois mesmo prestes a ver o que o espelho guardava, as duas estavam um pouquinho nervosas.
Agora, finalmente encarando o espelho, as duas tomaram um susto enorme:
- Mas eu só vejo a nós mesmas no reflexo! - Disse Laura, ainda espantada.
Naturalmente, poderiam imaginar que fosse mais uma lenda urbana ou coisa do tipo. Mas não foi o que se passou na cabeça de Ângela naquele momento. Ela se pôs a pensar que tudo aquilo realmente poderia ser verdade, e que tudo aquilo mostrara que Laura seria a menina que um dia se tornaria o seu amor. Então, sem que ninguém percebesse, ela deu um sorriso no canto dos seus lábios e disse:
- Vamos para casa?
- Vamos.
Vinte e três anos depois, Ângela está uma mulher fenomenal, talvez a mulher mais linda que a cidade poderia notar. Ela tinha uma beleza cativante, dona de um olhar e um semblante que pararia qualquer pessoa, por mais ocupada que estivesse naquele exato momento. Ao seu lado, encontra-se Laura, também linda, mas não tanto quanto a enigmática Ângela. E assim, Laura diz:
- Amor, aqui está o seu café....Já disse que te amo hoje?
- Não, meu amor. Eu também te amo. Em pensar que tivemos que ir até um espelho para descobrir que você era a mulher que iria me amar até o fim dessa vida.
As duas sorriram contentes, mas ao mesmo tempo satisfeitas de terem descoberto o espelho cedo o suficiente para ficarem bastante tempo juntas.
O espelho? Encontra-se no mesmo lugar, para pessoas que ainda não descobriram a magia do amor. Mas de uma coisa as duas tinham certeza: ninguém nunca o descobriria do mesmo jeito que elas o fizeram.
- Me disseram que naquela casa que não mora ninguém há tanto tempo existe um espelho. Neste, quando nos posicionamos em frente à sua estrutura quadricular, visualisamos o nosso amor, quem estará com a gente para sempre.
Bem, para ela, não era nada ainda tão provocante. Ângela ainda tinha seus 5 anos e aproveitava os momentos inocentes de uma infância gostosa. Na verdade, uma das infâncias mais gostosas e de causar mais inveja. Sua família era de classe média e ela tinha tudo para ser uma daquelas garotinhas mimadas que tinham tudo na mão. Mas não o era. Ângela era uma garotinha simples, ao mesmo tempo complexa. Preferia sentar e ver o formato que as nuvens faziam ao invés de sair ou brincar com os mil presentes que ela poderia ganhar por semana. Logo, aquela notícia era sim provocante.
A casa que Laura, a amiga da Ângela, comentou não era nem notável. Desde sempre ela foi vazia e pequena, em meio a tantos prédios e casarões. Muitas pessoas poderiam passar anos deixando passos corridos ou atrasados pelas calçadas dessa casa, mas se alguém perguntasse "sabe a casa abandonada?", talvez estas nem soubessem o que dizer.
Era uma casa de dois vãos, uma sala e um quarto. As cores externas, apesar de serem frutos de uma estrutura velha e machucada pelo tempo, tinham um tom sombrio, mas ao mesmo tempo vivo. Sim, é como se as rachaduras e os espaços nos quais deveriam haver telhados pudessem passar alguma vivacidade. O jardim não mais existia, pois carecia de cuidados. Há muito tempo diziam já ter visto algum morador, coisa de cinquenta ou sessenta anos atrás, mas nunca mais tocaram no assunto.
No momento em que Ângela soube desta notícia, decidiu, de imediato, comprovar se era verdade o que diziam. E então pensou consigo mesma:
- Por que não experimentar se isso é verdade? Eu poderia saber quem um dia seria o meu verdadeiro amor, e assim seria feliz para sempre!
Sem hesistar, olhou firme para sua amiga -um tanto exagerado, o que por segundos a assustou um pouco- e sem mais pensamentos, ela comentou:
- Minha mãe e meu pai vão sair hoje, por volta das seis horas. Poderíamos ir juntas e testar esse espelho conosco. O que você acha?
- Você tem certeza? Bem, se é o que você quer poderíamos sim, já que minha mãe permitiu passar a tarde na sua casa. - resondeu Laura, ainda menos empolgada que a sua amiga, mas pronta para acompanhá-la.
Laura nunca foi uma menina de pensamentos próprios. Acostumara-se a deixar que os outros pensassem por ela. É como se para ela pensar fosse algo cansativo, e ela deixaria o "trabalho mais duro" para as pessoas com mais aptidão ao seu redor. Sendo assim, foi exatamente a motivaçao de Ângela que levou-a a não desistir de entrar nessa ideia maluca que ela havia escutado por algum lugar do mundo.
Assim que os pais da Ângela se retiraram -foram ao supermercado, comprar alguma coisa que servisse para encher a barriga de pessoas como eles, que não sabiam cozinhar muito bem-, as duas já estavam prontas para abrir os portões de entrada da casa e seguir para onde encontrava-se o tal espelho.
Não era uma caminhada longa, pois tal casa encontrava-se a cerca de trinta ou quarenta metros. Nesse caminho, as duas apressavam-se para que não fossem notadas. À frente, tínhamos Ângela, com passos largos, mas decididos. Enquanto Laura ainda caminhava um pouco temerosa, mas parasita da confiança de sua amiga. O céu estava um pouco escuro e as primeiras estrelas já começavam a sair, com seus brilhos ainda um tanto surdos, devido aos últimos raios solares, que ainda rasgavam os céus da cidade movimentada que elas moravam desde que nasceram. E, dentre esses passos rápidos, Ângela murmurou:
- Nossa, o céu mais lindo que um dia eu já pude notar...
Enfim, chegaram à casa. Atravessaram ligeiramente o lugar aonde deveria ser o jardim. A porta encontrava-se um pouco emperrada, mas com um leve esforço maior, as duas, juntas, conseguiram abrir e entrar naquele vão escuro. De repente, Laura diz a sua amiga:
- Imaginei que estaria um pouco escuro, e roubei algumas velas e o isqueiro do seu pai, vou colocar luz nessa sala.
Por alguns instantes, Ângela esqueceu o motivo da sua ida à casa e observou sua amiga colocar as velas para iluminar o local e admirada por sua amiga, que costuma ser tão destrambelhada, ter pensado em algo tão minuncioso como aquilo. Mas em instantes voltou a si e olhou ao seu redor.
Após a penúltima vela, já dava para encontrar o espelho.
- Então esse espelho realmente existe...- susurrou Ângela, para si mesma. Talvez nem ela mesma tenha conseguido escutar, de tão baixo.
Ângela encarou a sua amiga, que a agora já acendera todas as velas que ainda restavam de sua bolsa de renda. As duas fixaram os olhares por alguns segundos, e um pouquinho de nervoso tomou conta do local. Como era de se esperar, foi Ângela quem deu a iniciativa, mas de inesperado, foi uma iniciativa diferente da que se poderia imaginar:
- Aí está o espelho. Por que não nos olhamos juntas? Talvez assim, no reflexo encontraríamos os nossos amores. O que você acha?
- Ah, é uma ótima ideia! - retrucou Laura.
As duas juntaram suas mãos e como se planejassem anteriormente, fecharam seus olhos, enquanto caminhavam em direção ao espelho que diria algo que poderia mudar a vida dessas duas crianças.
De pé, agora em frente ao espelho, foi a vez de Laura tomar a sua iniciativa:
-Pronta?
-Sim, estou pronta.
Então, elas vagarosamente abriram os seus olhos. O foco dos quatro olhos ainda eram o chão, pois mesmo prestes a ver o que o espelho guardava, as duas estavam um pouquinho nervosas.
Agora, finalmente encarando o espelho, as duas tomaram um susto enorme:
- Mas eu só vejo a nós mesmas no reflexo! - Disse Laura, ainda espantada.
Naturalmente, poderiam imaginar que fosse mais uma lenda urbana ou coisa do tipo. Mas não foi o que se passou na cabeça de Ângela naquele momento. Ela se pôs a pensar que tudo aquilo realmente poderia ser verdade, e que tudo aquilo mostrara que Laura seria a menina que um dia se tornaria o seu amor. Então, sem que ninguém percebesse, ela deu um sorriso no canto dos seus lábios e disse:
- Vamos para casa?
- Vamos.
Vinte e três anos depois, Ângela está uma mulher fenomenal, talvez a mulher mais linda que a cidade poderia notar. Ela tinha uma beleza cativante, dona de um olhar e um semblante que pararia qualquer pessoa, por mais ocupada que estivesse naquele exato momento. Ao seu lado, encontra-se Laura, também linda, mas não tanto quanto a enigmática Ângela. E assim, Laura diz:
- Amor, aqui está o seu café....Já disse que te amo hoje?
- Não, meu amor. Eu também te amo. Em pensar que tivemos que ir até um espelho para descobrir que você era a mulher que iria me amar até o fim dessa vida.
As duas sorriram contentes, mas ao mesmo tempo satisfeitas de terem descoberto o espelho cedo o suficiente para ficarem bastante tempo juntas.
O espelho? Encontra-se no mesmo lugar, para pessoas que ainda não descobriram a magia do amor. Mas de uma coisa as duas tinham certeza: ninguém nunca o descobriria do mesmo jeito que elas o fizeram.
domingo, 2 de maio de 2010
A Fine Frenzy- One Cell in The Sea

Quando a gente pensa que estava acabado, lá vem ela e mostra que foi apenas uma pausa para algo literalmente grandioso!
Quem conhece a Alison, já sabe que ela não é do tipo que faz aquela musiquina sem sal e nhá nhá nhá que você ouve uma ou duas vezes e já enjoa. Ela simplesmente dá a-que-le toque no ambiente em que ela resolve permutar a belíssima voz que alguém lá em cima deu de presente.
Daí que surge o "One Cell In The Sea", um maravilhoso trabalho dessa cantora...
O álbum é bem down, trata bastante de amores mal resolvidos e histórias de cunho triste ou simplesmente melancólicos. Mas não se trata daquele melodrama de segunda que a gente encontra em qualquer bandinha sertaneja, é algo sublime. TODAS as músicas consistentes nesse álbum são viciantes.
Quanto à estrutura músical, que arranjos são esses!? Uma megaprodução para quem já tinha escutado "A Bomb In A Birdcage" antes...O piano encontra-se mais evidente e literalmente, mais influente nesse trabalho da Alison. Como todo bom artista, ela mostrou que evoluiu absurdamente de uns tempos para cá. Vale a pena conferir!
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