quarta-feira, 1 de abril de 2009

Canal - Parte 1

Estava eu feliz e calmo em minha simples vida. De repente, uma miserável dor me ameaça o dente. Uma dor de dente muito forte, maior do que muitas outras que já possa ter sentido anteriormente. Isso foi um fato verídico, acontecido por volta de 1 ou 1 mês e meio comigo.Pensei seriamente no que deveria ser feito. Recorri a todos os meios e formas de resolver esse problema que estava acabando com meus nervos, de tanta agonia. Repentinamente, a dor se foi, e eu respirei aliviado. Um alívio inexplicável, uma sensação de bem estar muito agradável. Desse modo, me senti livre daquilo que um dia podia ser algo mais grave.
De repende, num "belo" dia, a dor voltou, constante e chata. Eu recorrir a pessoas que eu conheci e descobri que era melhor ir urgente ao médico, pois era cárie e deveria ser tratada. Na verdade, eu não acreditava ser isso, pois não via parecer ser tal coisa. Quandof finalmente criei coragem, enfrentei o tão temido dentista! Em um simples olhar ele disse "isso aê só com canal, meu caro"...
Canal, mas o que realmente é isso? Uma pessoa que amo descontroladamente disse me explicou que era um processo cirúrgico no qual o dente é aberto e eu nervo, retirado. Processo cirúrgico....acho que o canal em si não me incomodava mais, agora o tal do processo cirúrgico me vinha a cabeça sempre, em todos os momentos. "Mas por que eu? O que eu fiz pra merecer tal desgraça?". O medo era o único sentimento que se fazia prevalecer naquele momento de fraqueza física e espirtual. Apenas o fato de imaginar o desenrolar do tal processo me arrepiava as espinhas!
Agora, bastava saber com que pernas, com que mãos e com que coragem mover-se-ia a minha pessoa para o encontro da tão temida marcação de tratamento de canal. Bem, eu não afirmo claramente que a força veio só de mim. Agradeço muito aquele ser que sabe muito bem que me ajudou bastante...o meu amor.
Dessa forma, 'processo cirúrgico' marcado. Para uma semana. Meu Deus, terei eu forças pra enfrentar tal questão que parecia colocar minha vida em uma corda bamba, num exercício contínuo de auto-estima? Será que eu sou capaz de enfrentar aquilo que me machuca calada e minunciosamente? Pensei durante a semana toda, e no dia, lá fui eu.
Observei atentamente o rosto do médico, que me fitava serenamente, com um olhar de sabedoria e de responsabilidade. Eu, por sinal, trocava o foco do meu olho, numa velocidade amarga e assustada, como um animal retirado de seu habitat natural. Quando pude enxergar nitidamente aquele objeto pontiagudo que me ia furar o dente, senti meu coração tentando sair da caixa toráxica, de forma que eu não conseguia respirar relaxadamente. O suor escorria, mais ainda quando percebi a existência de tal agulha fina e assustadora.Em questão de segundos, tal agulha me perfurou e senti um alívio ainda maior do que aquele que havia sentido anteriormente.
A partir desse momento, comecei a conversar silenciosamente com aquele mais novo amigo, e o seu nome era 'Anestesia'. Desde então, senti um peso tremendo dentro da minha boca salivante, mas o meu amigo ajudou-me a afastar a dor, completamente.Saí do tal consultório sorridente, feliz, apaziguado. Acredito eu que nunca imaginara ser tal processo cirúrgico uma coisa de simplicidade tamanha. Simplicidade essa que me acalma para o segundo encontro com o tal doutor e o tal amigo Anestesia, amigo esse que até faz-me sentir encorajado e firme para enfrentar esse desafio.

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